(Ao querido Aton Haber)
Sinto uma vibração diferente
Que envolve meu ser maravilhosamente
Sinto que do pó renasce um sol derradeiro
Que de pouco a pouco irá se tornar inteiro
Dentro de mim há interrogações
Dentro de mim há vibrações
Que incrivelmente invade tua vida
Que intensamente invade a minha
Como um olhar que o sonho envolve em encanto
Como um soar de sino por um campo
Como quem brinca na beira d’água...
Se meu viver ti faz encanto
Viverei sem derramar um pranto
Mesmo que se apague a lembrança d’água...
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Vibrações II
Oh, vento frio desta noite!
Ouves os apelos meus, do meu peito morto!
Ora és meu amigo, oras trás um triste desencanto.
Minha alegria já se foi com tuas palavras
Derradeira e pobre sina que em mim plantei
Dos meus sonhos, oh, noite és secretaria antiga...
Que de mim nasça uma armadura
Que não penetre sequer um sonho de amor
Que se vá o Sol, que se vá a palavra verdadeira
Que se vá a mitologia vã!
Ah! Minhas infelizes palavras que de tão verdadeiras
Afastou-me um amor maduro
Afastou-me um sorriso tremulo
Afastou-me a esperança de realizar meus desejos
Tua Razão, oh vento!
É faca que corta meu coração
É som que rasga as nebulosas lembranças
De dias felizes
Se minhas palavras não rimam
É porque estou sem rima
Sem alguém que em mim se ria
Sem ter um pulsar no coração...
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