domingo, 21 de junho de 2009

Sono - I - Meditação


Sono


"O sono é um rastejar do homem dentro de si mesmo." - Friedrich Hebbel.



I - Meditação


Oh lúrido condão do céu e inferno
Que leva todo o ser ao mundo interno
Tolhendo a essência por todos estados
Do transe que é no sono revelado;

Igual muralha que em fenda se parte
Ofuscando na face os lampejos
Que na alma se refletem em desejos
Rebentados p’los sentidos, por tal arte;

Sentindo formigar o corpo inteiro
Com mãos e pés vibrando co’o primeiro
Suspiro estático d’um pulso elétrico
Que invade a coluna em ritmo frenético

Deixando todos os átomos submersos,
Na energia que irradia perfeitamente,
O corpo quando se uni à alma e mente
Entrando em ressonância com o Universo.


(A. C. ...)

“Auroras”


Passando à sacada, ficou a olhar para aquele desmaiado céu crepuscular, que tanto odiava, por longas horas, fantasiando um futuro melhor. Apesar das pistas, não entendia o que aquele estranho sonho queria lhe dizer e preferia não dividir a angustia com mais ninguém, fazendo da loucura um segredo só seu.
– A Terra dos Deuses - Paolo Di Caneva.



A noite derrama sangue sobre a Terra
E na memória o Tempo fica eterno,
Sujeito aos transtornos de um Inferno
Nutrido p’la mente, com traumas da Guerra;

Antigas almas gritam sob a tortura
Que brota dos sentidos, e o corpo implora
A morte rápida na imortal ventura!

O rogo assim na terra vai guiando
Os olhos, quando a face aos céus volvia
E num súbito movimento de energia
As mãos, erguidas em cruz, vão se banhando

Nas ondas quentes da estrela tão sonora
Que rasga a noite com sua luz mais pura:
No céu, fogos dos canhões são como auroras

Vontade

A única pessoa que eu não posso estar junto é aquela que eu mais queria entregar meu coração – filme: A casa do lago.


Vês! Não é fictício o corpo meu,
Nem sou só de palavras desejosas,
Sou a mente que te leva cobiçosa
Por mais que eu não esteja ao lado teu.

Assim, não me abandones d’uma vez,
Antes que o grito sólito transcorra,
Diga-me só a verdade dessa vez

Sem cerimônia e frases melindrosas,
Pois quero o argumento que te acolheu
Na rede de um medo que te rendeu
Sob a sombra da razão portentosa,

Se não queres que a vontade em ti escorra
Altiva feito a nobreza dos Reis,
É melhor que não vivas, logo, morra!