quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Sabe...


As conchinhas da praia ainda me fazem lembrar de ti,
o bosque ainda guarda nossos sorrisos,
todos as cores brancas, de todos os lençóis
ainda me acariciam e, sem que eu possa controlar,
me levam junto aos braços teus
quando fecho os olhos meus...


As praças nunca mais foram as mesmas,
as pizzas perderam o... teu sabor.
O calor deixou de ser calor,
O beijo deixou de ter sentido,
O carinho... levaste todo contigo
E eu fique aqui...


Aqui que já não me importa mais,
Aqui que me assombram as lembranças de não ter tido mais...
Aqui que tudo se perdeu.


Mas.... Tudo bem, eu...

P rometi não sofrer ainda mais
E errei de ter feito essas promessas.
D oeu tentar amar outro alguém, porque...
R angeu teu nome entre minhas quedas.
O resto - o Agora - não me satisfaz.


 
A.C.

sábado, 27 de novembro de 2010

Sono II – Elevação

II – Elevação


"O sono é um rastejar do homem dentro de si mesmo." - Friedrich Hebbel.



Dos campos estelares às figuras,

O céu eu vi voraz e submerso

Em cores que tingiam as alturas

Os sons psicodélicos dUniverso;


Refletia nos meus olhos a luz pura

D’um Sol forjando símbolos em versos

Com toda arte que o tempo transfigura

Os pomos juvenis d’um mundo perso.


Incêndio de quimeras desfolhadas

Nas lúcidas figuras desenhadas

Em traços, ritos surdos de mistérios,


Das ‘strelas que se juntam transgredidas

Em transes dissonantes, minha vida,

Elevando meu ser aos hemisférios...


(A. C. ...)

domingo, 21 de junho de 2009

Sono - I - Meditação


Sono


"O sono é um rastejar do homem dentro de si mesmo." - Friedrich Hebbel.



I - Meditação


Oh lúrido condão do céu e inferno
Que leva todo o ser ao mundo interno
Tolhendo a essência por todos estados
Do transe que é no sono revelado;

Igual muralha que em fenda se parte
Ofuscando na face os lampejos
Que na alma se refletem em desejos
Rebentados p’los sentidos, por tal arte;

Sentindo formigar o corpo inteiro
Com mãos e pés vibrando co’o primeiro
Suspiro estático d’um pulso elétrico
Que invade a coluna em ritmo frenético

Deixando todos os átomos submersos,
Na energia que irradia perfeitamente,
O corpo quando se uni à alma e mente
Entrando em ressonância com o Universo.


(A. C. ...)

“Auroras”


Passando à sacada, ficou a olhar para aquele desmaiado céu crepuscular, que tanto odiava, por longas horas, fantasiando um futuro melhor. Apesar das pistas, não entendia o que aquele estranho sonho queria lhe dizer e preferia não dividir a angustia com mais ninguém, fazendo da loucura um segredo só seu.
– A Terra dos Deuses - Paolo Di Caneva.



A noite derrama sangue sobre a Terra
E na memória o Tempo fica eterno,
Sujeito aos transtornos de um Inferno
Nutrido p’la mente, com traumas da Guerra;

Antigas almas gritam sob a tortura
Que brota dos sentidos, e o corpo implora
A morte rápida na imortal ventura!

O rogo assim na terra vai guiando
Os olhos, quando a face aos céus volvia
E num súbito movimento de energia
As mãos, erguidas em cruz, vão se banhando

Nas ondas quentes da estrela tão sonora
Que rasga a noite com sua luz mais pura:
No céu, fogos dos canhões são como auroras

Vontade

A única pessoa que eu não posso estar junto é aquela que eu mais queria entregar meu coração – filme: A casa do lago.


Vês! Não é fictício o corpo meu,
Nem sou só de palavras desejosas,
Sou a mente que te leva cobiçosa
Por mais que eu não esteja ao lado teu.

Assim, não me abandones d’uma vez,
Antes que o grito sólito transcorra,
Diga-me só a verdade dessa vez

Sem cerimônia e frases melindrosas,
Pois quero o argumento que te acolheu
Na rede de um medo que te rendeu
Sob a sombra da razão portentosa,

Se não queres que a vontade em ti escorra
Altiva feito a nobreza dos Reis,
É melhor que não vivas, logo, morra!

domingo, 29 de março de 2009

Ato de tocar

Ao toque de meus dedos sobre o piano,
Discorro em fluidez involuntária
E cerro meus olhos na melodia,
Que embalsama minha alma em fantasia
E funde meu ser ao ser amado

Em notas graves, agudas e sentidas,
Minhas mãos percorrem o corpo enfeitiçado
De um objeto que transcende a agonia
E invoca, na noite cálida e fria,
Os sons celestiais e divinizados

Sonata de Mozart entre meus dedos,
Corpórea prisão que me impede
De vibrar em etéreos anseios,
Que invadem meu mundo por inteiro
E lançam-me da partitura aos movimentos

Sufoca-me o ar sob meus seios,
Translado desse mundo a outro mundo,
Entorpeço a mente com silêncios...
Trago nas mãos uma harmonia cósmica,
Tenho nos ouvidos, os beijos das notas...



[Aurora, as 04:33 da madrugada de 21-08-08]

quinta-feira, 12 de março de 2009

Existência

Semeei: colho o fruto de veneno.
Entre o pó da verdade para o bem
E a montanha do prazer para além
Da extensa amplidão desse terreno

Meu nome, kharma hirto já condeno
Aos braços espantosos d’um refém
Que lança a vida, como ninguém,
Nas águas da esperança d’um aceno

Neste corpo frágil conduzo lasso
A alma na idade da inocência
Que brotou num antigo rio escasso

O néctar de uma sede na ardência
Das inquietações que soam no espaço
E que trago nas milhas da existência


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No poema há elementos que formam a existência humana segundo certas doutrinas budista, hinduísta e jainista, além de Teosofia e Misticismo.
Alguns elementos como:
‘Fruto’ e ‘néctar’, significando a origem de algo.
‘Terreno’( a terra), ‘água’, ‘espaço’ (o ar), significando elementos verticais, horizontais e astrais que, juntos e organizados, podem fazer o homem se tornar um sábio ou ‘super-homem’.
Além de outros, o ‘kharma’ que significa a conseqüência das ações humanas acumuladas de existências passadas e da existência em que se vive.