domingo, 21 de junho de 2009

“Auroras”


Passando à sacada, ficou a olhar para aquele desmaiado céu crepuscular, que tanto odiava, por longas horas, fantasiando um futuro melhor. Apesar das pistas, não entendia o que aquele estranho sonho queria lhe dizer e preferia não dividir a angustia com mais ninguém, fazendo da loucura um segredo só seu.
– A Terra dos Deuses - Paolo Di Caneva.



A noite derrama sangue sobre a Terra
E na memória o Tempo fica eterno,
Sujeito aos transtornos de um Inferno
Nutrido p’la mente, com traumas da Guerra;

Antigas almas gritam sob a tortura
Que brota dos sentidos, e o corpo implora
A morte rápida na imortal ventura!

O rogo assim na terra vai guiando
Os olhos, quando a face aos céus volvia
E num súbito movimento de energia
As mãos, erguidas em cruz, vão se banhando

Nas ondas quentes da estrela tão sonora
Que rasga a noite com sua luz mais pura:
No céu, fogos dos canhões são como auroras

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