Ao toque de meus dedos sobre o piano,
Discorro em fluidez involuntária
E cerro meus olhos na melodia,
Que embalsama minha alma em fantasia
E funde meu ser ao ser amado
Em notas graves, agudas e sentidas,
Minhas mãos percorrem o corpo enfeitiçado
De um objeto que transcende a agonia
E invoca, na noite cálida e fria,
Os sons celestiais e divinizados
Sonata de Mozart entre meus dedos,
Corpórea prisão que me impede
De vibrar em etéreos anseios,
Que invadem meu mundo por inteiro
E lançam-me da partitura aos movimentos
Sufoca-me o ar sob meus seios,
Translado desse mundo a outro mundo,
Entorpeço a mente com silêncios...
Trago nas mãos uma harmonia cósmica,
Tenho nos ouvidos, os beijos das notas...
[Aurora, as 04:33 da madrugada de 21-08-08]
2 comentários:
Aurora, o que é que eu posso te dizer?
Bom, serei direto. Você escreve bem, pra melhorar só faltava instalar as tuas palavras num livro. Gostei muito, é difícil encontrar blogs onde se encontre poesias, realmente. E olha que procuro.
O verdadeiro poema é aquele que funde mente, alma e coração, acrescido da capacidade de nos transportar às suas linhas e entrelhinhas; e essa é a sua poesia, Aurora, que tocou-me de ato em um "Ato de Tocar."
Postar um comentário