quinta-feira, 12 de março de 2009
O véu
Aquele peso em mim - meu coração.
Fernando Pessoa, 1932
Nas terras babilônicas do tempo,
Uma fera se esconde ao sol noturno,
O luar acalma, entorpece o sangue,
E tudo flui nas sombras do momento.
Solta-lhe da boca um véu vermelho,
Ensangüentado p’la própria matança,
E o cobre com suas lágrimas e beijos...
O semblante abatido rompe-se em ais...
E nos ares, choros tornam-se livres.
A morte já se torna breve, indolor,
E o peso de seus membros inexiste
Pelas encostas da vida que segue
Em direção a um pôr-do-sol sem vida
Por dentro da fera incompreendida;
A porção d’alma, todos os amores,
‘stavam no véu arrancado do peito
Que a terra livra dos cruéis temores
Guardando-o forte num amor eterno
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