Na trilha do penhasco sobranceiro,
Espaça luz do sol então difundia,
A imagem de Jano* que me tolhia
O tempo tão mortal e derradeiro;
Mas em mim a noite segue ao dia,
Passado, que nas mãos segue ligeiro,
Futuro, é um gentil mensageiro
Do imenso mistério que te porfia;
Lanço-me à sorte em teu reinado,
Ao passo que teus olhos imperfeitos,
D’um tempo rotineiro que rejeito,
Abrem o caminho já desvendado;
Acolhe e protege-me no peito
Do teu destino frio, divinizado
E tira-me o peso, tão cristalizado,
Dessa vida sem rédeas ao teu lado.
[Aurora... 23-08-08 ]
*Jano: nasceu como mortal. Quando Saturno foi expulso da Grécia por Júpiter e seus irmãos, Jano o acolhe. Saturno, agradecido, deu a seu protetor o poder de ver o passado e o futuro. Após a sua morte foi divinizado e tornou-se o Deus das portas, dos caminhos, do início e do fim de todas as atividades. Muitas vezes era representado com dois rostos, um olhando para o futuro e o outro, para o passado.
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