(ao meu grande amigo, Tony)
Nossos corpos já não marcam mais,
As letras já não juntam como antes,
O sono agora não nos satisfaz
Deixamos, por querer, de nos importar
Com os constantes gostos de imitação
De tudo que podemos, enfim, comprar
Para contornar a vida de estimação
Nos sonhos, já deixamos de acreditar
Não há mais coragem em harmonia
Então não lembramos mais de olhar
Longe do espelho, o rosto de agonia
Talvez haja somente tristeza em saber
Que a mente é falha no que não se vê
Que nosso presente só aparenta ser
E a memória é viva só no que se crê
Acreditamos sim, que a cada momento
Toda a vida está apenas no alcance ótico,
janela do carro e chão em movimento,
Mera condição do sentimento caótico
Sentidos, sem sentido de que amamos
Na rota de um caminho já direcionado
Temos medo de ir além do “convenhamos”...
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