quarta-feira, 11 de março de 2009

FERA

Quando o tempo de perder me chega
A mente à altura não sobe e receia
Rebentando em prantos e a tristeza me enleia
No acaso que a fera assim me fez e não sossega;

Pouco a pouco me reveste até largar-me
No silêncio do sol em que a luz me cega
A atormentar a alma até bloquear-me
Da voz fraca da divindade cega

Vejo-me como grão nesse deserto
Que sou ora sombra ora mulher, de certo!
Mas nunca ambas em era retardada

Poetiza estou, tornando a dor uma fonte
Porque não tenho prazer no deleitoso monte
Dos deuses em que há a crença amada.

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