quinta-feira, 12 de março de 2009

Selva de lobos

Só, como a idéia única
De um mundo que se acaba,
Erma, boiava intrépida,
A arca de Noé;
Pura das velhas nódoas
De tudo o que desaba,
Leva no seio incólumes
A virgindade e a fé.
- O dilúvio - Machado de Assis



Lança em precipícios mais rasgados
Todas as lembranças bem dolorosas,
Pois no porvir há coisas espantosas,
Que quaisquer bons laços ficam frustrados;

Selva de lobos cresce ano a ano
Sempre sanguinolenta e esquiva
Sobre a vida, em futuros danos...

Segue à sorte, todo nome herdado,
Entre serpentes e damas manhosas,
Cheias de doces, palavras poderosas,
Gentis varas, em tronco definhado;

A raça humana sem fé se priva
Na fria fortuna urda dos enganos,
Onde se vende carne, ‘stando viva!


[10-09-2008]

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